03 June 2010
02 June 2010
PARADOXO
A POETA E O PIMENTÃO
01 June 2010
A LEVEZA DA SOLIDÃO - MINI CONTO

Abri a caixinha de plástico amarela e tirei as coisas: um colar de pérolas de três voltas, um bilhete datado de Abril de Armando que me dispensava e uma rosa seca do dia dos meus trinta anos.
No momento que fui enrendar o pescoço em volta do colar, um estampido soou lá fora. Era meio dia e a rua neste momento não fervilhava.
Não tive ânimo para bisbilhotar, o almoço já ia sair, mas a notícia chegou rasteira com os gritos de Joaninha que passaram por debaixo da porta:
"Mataram, dona Nenê, mataram seu Camilo!"
Deu-me uma tristeza de colo, aquela tristeza de segurar o ar, de pensar palavra e reter palavra! Nem bem vi, o colar de três voltas falou por mim: mandou que a rosa ainda mais se secasse e que Camilo subisse depressa para o lugar onde ficam os ares, e que aqui, livre, não precisasse haver mais despedidas.
O que a polícia apurou depois, ficou retido, lívido, num papel verde assinado pelo sargento de bigode.
Bem tarde da noite, quando tudo era silêncio de novo, guardei as coisas de volta dentro da caixinha amarela; o relatório do policial em cima tudo, e pela primeira vez em muitos anos, dormi a noite inteira.
27 May 2010
15 May 2010
POEMA PARA AS MULHERES SÓS

Somos mulheres sós
e sós estamos, aos milhares.
Já deixamos as nossas queixas diárias de mártires
e não mais contamos as horas
para fazer o dia render mais.
Nossos filhos agora estão preparando outros filhos
e nossas mãos vazias de ar estão.
Somos mais pobres agora
porque somos mais cheias da inutilidade.
Queremos o frenesi
e tecemos mantas de lã.
Que proveito temos?
O sol nasce para nós
mas não nos aquece como antes.
Ainda pelo sol, nasce o sol
e ainda assim, suspiramos.
e sós estamos, aos milhares.
Já deixamos as nossas queixas diárias de mártires
e não mais contamos as horas
para fazer o dia render mais.
Nossos filhos agora estão preparando outros filhos
e nossas mãos vazias de ar estão.
Somos mais pobres agora
porque somos mais cheias da inutilidade.
Queremos o frenesi
e tecemos mantas de lã.
Que proveito temos?
O sol nasce para nós
mas não nos aquece como antes.
Ainda pelo sol, nasce o sol
e ainda assim, suspiramos.
TOLERÂNCIA

Meu tesouro, meu bem, meu mar de céu
seja para mim a terra e a minhoca
que combinados, compõem a unicidade;
e seja para mim o gás de ar que me circunda
e do ar o gás que eu engulo, imperceptivelmente.
E seja para mim, eu mesma;
esta confusão de seres que me encara.
Só seu amor me salva e me destina
ao acontecimento triste dos amantes,
que hoje ama e que amanhã, tolera.
seja para mim a terra e a minhoca
que combinados, compõem a unicidade;
e seja para mim o gás de ar que me circunda
e do ar o gás que eu engulo, imperceptivelmente.
E seja para mim, eu mesma;
esta confusão de seres que me encara.
Só seu amor me salva e me destina
ao acontecimento triste dos amantes,
que hoje ama e que amanhã, tolera.
10 May 2010
O TROCO DE PEDRO
05 May 2010
AMOR ESPERANÇOSO
04 May 2010
POEMA PARA UMA PONTE

As insensíveis perfeições dos arcos,
a luz amalgamada refletindo a ponte
e as sombras frescas mergulhando a água;
tudo é a beleza da vã utilidade.
Se um perdão eu tivera para a humanidade
seria por este inerte e súbito momento;
uma paz de Deus soprada em modelagem
e a luxúria quente de satisfação da alma.
POEMA DA ILUSÃO DE MIM
26 April 2010
O POEMA
21 April 2010
LUZ

Até o meio dia deste feriado
minhas células darão a festa do pijama
imaginando a listras grossas de ressaca.
Se o relógio tiver que bater três horas
o céu anunciará uma sexta feira santa
chumbo que pesará por sobre meus anéis.
E eu cantarei a cantiga das horas
-aquelas que combinam com a cor dia -
Se há luz, luz haverá,
ilusionismo de luz, na sua falta.
minhas células darão a festa do pijama
imaginando a listras grossas de ressaca.
Se o relógio tiver que bater três horas
o céu anunciará uma sexta feira santa
chumbo que pesará por sobre meus anéis.
E eu cantarei a cantiga das horas
-aquelas que combinam com a cor dia -
Se há luz, luz haverá,
ilusionismo de luz, na sua falta.
22 February 2010
PRESENTE
André, em seu blog, O CONFESSIONÁRIO MENTAL, me deu este presente e postou o seguinte:
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Vou começar esse post com uma música de Lulu:
"Quando eu era pequeno eu achava a vida chata
Como não devia ser
Os garotos da escola só a fim de jogar bola
E eu queria ir tocar guitarra na TV
Aí veio a adolescência e pintou a diferença
Foi difícil de esquecer
A garota mais bonita também era a mais rica
Me fazia de escravo do seu bel prazer
Quando eu saí de casa minha mãe me disse:
Baby, você vai se arrepender
Pois o mundo lá fora num segundo te devora
Dito e feito, mas eu não dei o braço a torcer
Hoje eu vendo sonhos, ilusões de romance
E toco a minha vida por um troco qualquer
É o que chamam de destino, e eu não vou lutar por isso
Que seja assim enquanto é"
"Quando eu era pequeno eu achava a vida chata
Como não devia ser
Os garotos da escola só a fim de jogar bola
E eu queria ir tocar guitarra na TV
Aí veio a adolescência e pintou a diferença
Foi difícil de esquecer
A garota mais bonita também era a mais rica
Me fazia de escravo do seu bel prazer
Quando eu saí de casa minha mãe me disse:
Baby, você vai se arrepender
Pois o mundo lá fora num segundo te devora
Dito e feito, mas eu não dei o braço a torcer
Hoje eu vendo sonhos, ilusões de romance
E toco a minha vida por um troco qualquer
É o que chamam de destino, e eu não vou lutar por isso
Que seja assim enquanto é"
Vou comentar dessa música porque muito do que está nela é visto em mim. Sim, quando eu era pequeno eu queria ir tocar guitarra na TV. Talvez não tão pequeno quanto Lulu, mas posso dizer que ainda não tinha ideia do que fazer da vida.
Mas a parte que eu mais me identifico, e digo isso pois essa parte me toca muito forte é quando Lulu diz que sua mãe o alertou ao sair de casa: "Você vai se arrepender, pois o mundo lá fora num segundo te devora". Até hoje me lembro da expressão de assustada (talvez até mais que a minha) que minha mãe me olhava e dizia: "Tome cuidado meu filho". É mãe, eu, garoto ainda, na ansiedade de morar fora estava achando tudo uma maravilha, mas as dificuldades vieram e eu persisti. E esse texto agradeço a ti, por todo sacrifício e esforço que teve em minha criação. Todas as dificuldades que tive você esteve ao meu lado e serei eternamente grato por isso.
Amanhã, partirei mais uma vez e sentirei sua falta. E não digo isso pelo fato de ter uma vida mais cômoda não, digo isso pois o simples fato de ter sua companhia ao longo do dia me conforta.
Sei que as pessoas tomam seu caminho um dia, mas nenhuma pessoa no mundo deveria perder o aconchego de sua mãe. Só ela sabe o quanto um filho necessita e em quê.
De qualquer maneira, "dito e feito, mas não dei o braço a torcer".
Hoje tenho certeza de que tudo que sou, devo a ELA e como já dito, é a ELA que homenageio neste texto. Obrigado Mãe!
Mas a parte que eu mais me identifico, e digo isso pois essa parte me toca muito forte é quando Lulu diz que sua mãe o alertou ao sair de casa: "Você vai se arrepender, pois o mundo lá fora num segundo te devora". Até hoje me lembro da expressão de assustada (talvez até mais que a minha) que minha mãe me olhava e dizia: "Tome cuidado meu filho". É mãe, eu, garoto ainda, na ansiedade de morar fora estava achando tudo uma maravilha, mas as dificuldades vieram e eu persisti. E esse texto agradeço a ti, por todo sacrifício e esforço que teve em minha criação. Todas as dificuldades que tive você esteve ao meu lado e serei eternamente grato por isso.
Amanhã, partirei mais uma vez e sentirei sua falta. E não digo isso pelo fato de ter uma vida mais cômoda não, digo isso pois o simples fato de ter sua companhia ao longo do dia me conforta.
Sei que as pessoas tomam seu caminho um dia, mas nenhuma pessoa no mundo deveria perder o aconchego de sua mãe. Só ela sabe o quanto um filho necessita e em quê.
De qualquer maneira, "dito e feito, mas não dei o braço a torcer".
Hoje tenho certeza de que tudo que sou, devo a ELA e como já dito, é a ELA que homenageio neste texto. Obrigado Mãe!
Postado por André Carlucci às 22:19
01 February 2010
VIDA DE ESPINAFRE

Há largueza em meu caminho;
nem sempre as curvas são curvas
(são é ilusão de ótica,
como os oásis fincados no deserto)
e as vezes são traçados de uma mão infantil
trêmula e inexperiente.
A largueza é o bicho que me come
e o traçado é a ladeira,
(íngreme que nem papel de parede).
Quanto mais vivo, mais sofro.
Isto seria anormal,
não fosse a vida banal de todos nós;
janta, dorme, acorda e almoça.
Vida de rei é vida de espinafre.
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