30 September 2006

PERDÃO


Perdoa-me vida, se tenho aprendido tão pouco de ti
Porque não sei viver uma paixão às beiras da metade
Porque não sei dar meio beijo, meio enredar de braços
Meio suspiro, meio anseio, meio sim e meio não
Ainda não meio-te-odeio, nem meio-te-suporto
Nem meio estou aqui, nem meio lá
Se partido meu sentimento está
Ainda é inteiro nas duas partes completadas
Perdoa-me vida, se ainda não sei tudo de ti
É necessário perdão se ainda não sei meiar,
Sei inteirar
Perdoa-me vida, se não aceitei de ti a parte divisora
Não te aceito, não te aceito, em cortes ou frações
Se hei de viver, que seja integralmente
Não há metades em mim, não há meados
Trata-me como o vidro, vida
Que a beleza do vidro refletida em partes
Quando quebrado, há de repartir-se
Refletindo cada um seu próprio prisma
De pedacinhos inteiros, embora separados