22 September 2006

PRIMAVERA DOS SETENTA CICLOS


Estava dormindo agora há pouco
Quando a nova estação chegou
Nem deu o ar da graça fazendo barulho
Como certas pessoas
Que entram aqui
Quando abri os olhos
Olha ela aí, sorrisinho perfumado
Aquele que eu não conhecia e há muito tempo
Falou assim:
“Ceci, Ceci, a jacutinga já voou
Agora esse seu peito está desgaiolado”
Eu agarrei na mão da primavera
Eu me agarrei na sua figura, na poética estampa
E estou até agora, grudada com ela
A primavera vai durar setenta ciclos
E me levará a setenta caminhos
Que eu não escolherei, pois viverei em todos um trechinho
Me fará setenta vezes mais sábia
E setenta vezes mais apatetada
E setenta vezes mais desmiolada
Até que eu esqueça
Que houveram jacutingas,
Barulho, pessoas,
A gaiola,
Os setenta invernos do único caminho.

1 comment:

André Carlucci said...

Esse poema ficou setenta vezes ótimo!
Setenta beijos!!!!