04 February 2007

MINHA CASA



Hoje tem seis anos que minha mãe se foi. Tenho tanta saudade, mamãe, tanta saudade...

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Que saudade de mim
Quando havia um tempo de alegria em minha casa
Meus irmãos rindo,
Meus pais sentados no terraço
A rua batida de lua
E as plantas se mexendo quando o vento passasse.

Hoje a rua ainda é rua
Mas meus irmãos se foram
Cada qual na sua própria destinação
De viver as próprias dores,
E de marcar a ferro e fogo as alegrias
Meus pais desapareceram do terraço
E se refugiaram nas fotografias mortas

Eu não estou morta
Mas é como se eu fora
Tenho sangue quente, minhas pupilas crescem
Quando escurece
Mas é uma vida feita dos entalhes
Do passado
A busca louca pela alegria primeira
Alegria infantil e tola
Quando meus irmãos, na brincadeira de roda,
Na música que cantavam
Garantiam-me um futuro simples e regado
Da benção dos meus pais
E eu sob esse cuidado

Ainda que eu busque com as minhas próprias mãos
Ainda que eu tente comprar com o que já conquistei
Ainda que eu vare as madrugadas me martirizando
Nunca mais acharei a menina franzina,

Com os pés descalços
De cabelos claros de sol,
Que se sentava sobre a mureta baixa
E sonhava, e ria, e se distraía
E imaginava que o mundo fosse só aquilo;
Um mundo bom.



2 comments:

Zazá said...

Hoje tem 26 anos que meu filho mais velho nasceu.
Há seis anos atrás, neste mesmo dia, eu o abracei chorando de alegria e dor.
Eu o recebia e me despedia.
Hoje eu o recebo, com alegria, pois ele me trouxe outro, no lugar daquele que se foi.
E não deixou espaço para a dor.
Só para a saudade.

PÉ DE PITANGA said...

Que bonito, Azalia...