07 February 2008

POEMA DO PASSARINHO-FILHOTE


Foi uma cena clássica
Enquanto homens se movimentavam
por conta de cálculos,
dos parcelamentos da dívida
das engrenagens que deveriam produzir riqueza
todos circulando por entre vidros e fios
um passarinho-filhote,
de biquinho aberto,
que havia caído do ninho
assustado, por cima do gramado
espremia-se de tanto piar
à espera do eventual socorro
As máquinas foram parando devagar quando deu a hora
os homens de terno saíram, afrouxando as gravatas
As mulheres batiam os saltos no passeio claro
as luzes se apagaram na dança da sincronia
o passarinho-filhote não se cansou de esperar
tonto, distraído do ambiente árido e cru que lhe circundava
Agora cai uma chuva de doer
Todos estão a assistir TV em casa
vestidos de calções velhos e meias largas
Temo pelo piar continuo que me guardou a tarde
Natureza dos fortes,
não imagina a imensidão dos fracos
Amanhã hei de ouvir o piado novamente
agora, mais forte,
mais experiente,
à beira da murada.

3 comments:

Anonymous said...

QUE BONITINHO ESTE,lembrou-me o dia em que entrou um filhotinho dentro do meu carro e eu fiquei paralisada com o medo dele!

Anonymous said...

Lindo e real.Os fracos,os oprimidos quase sempre,ou sempre,nunca são notados.Mas o filhote vai sobreviver como muitos sobrevivem pois a natureza colocou-o alí e logo estará voando sem a necessidade da ajuda daqueles que deveriam acolhê-lo.

lindooooo e uma realidade da vida

PÉ DE PITANGA said...

Anônimo... obrigada pelo seu comentário.
Queria que soubesse que eu sou o passarinho.
Bjs