09 July 2009

AUTO RETRATO


Sou prematura de sete meses,

Faltou-me no acabamento

paciência, humildade e coragem.

Tenho um nome de santa

De santa eu não tenho nada;

Não como ovo, não como frango

Não tenho ciúme de coisas

Nem de nenhuma alma

Digo todas as verdades com convicção

Não me importa se me adulam

E todas as minhas verdades

nem sempre são verdades.

De generosidade, cultivei pouco

e colhi pouco;

Falo muito, sofro de frio nos pés

A minha vaidade não me permite errar

Mas erro sempre que posso

erro de monte quando não posso.

Não tenho saudades do passado;

Serei espiritualista até morrer,

E depois que morrer, serei materialista

Gosto de viver fora da concordância do mundo,

Penso grande e ajo pequeno

Minha língua me trai.

Desdenho as pessoas patriotas,

Acho que o mundo é pequeno demais

e que meu peito sonha muito.

Tenho vícios, os quais me adoram,

Posto que minha dedicação a eles é extrema

mas tenho comportamentos que eu exumo

Porque me são complacentes, e eu não os rejeito.

Falo alguma coisa em algumas línguas

mas é a minha própria língua que me desafia

Nunca soube contar direito;

A matemática desistiu de mim;

Não sei cozinhar como devesse,

Engano as panelas,

mas elas nunca me enganaram.

Falo pelos cotovelos o que não quero

Tudo o que digo subtraio por dois,

O meu espaço geográfico é fraco

Não gosto de andar por aí,

Gosto de ficar comigo mesma

e as pessoas me cansam

com aquelas palavrinhas de mesma coisa.

Nasci cansada

e para todas as coisas do mundo

incluindo o que existe

e excluindo o que não há,

ainda estou deveras cansada...





1 comment:

ZAZÁ LEE said...

Maria Cecília

Que belo post!
Muito bem explicadinho. Você é um gato no azul.
Que título, para um livro que acabou não saindo. Ainda não pelo menos.