12 November 2006

A LEALDADE DA POESIA


A fera que mora em nós
É o pedacinho do ego que eu mostro agora
Ruge, range, apavora
O ser mortal que eu sou
E que fui outrora
Não me creio impura,
E nem beatificada
Não me creio amarga,
Creio-me alucinada,
Pela poesia viva,
O vértice da minha lealdade
Lealdade para comigo mesma
Lealdade para a minha própria humanidade
A poesia em mim é a abertura exata
Dos sonhos de delírios
Que se o homem vive,
Eu os tenho;
Ou se o homem sofre,
Eu me compadeço.

1 comment:

Cleomar said...

Lendo esta poesia não pude deixar Nietzche no esquecimento. Quando liberamos apenas pequena parte de nossa realidade, de nossas vontades, devido às exigências da comunidade, sofremos, quedamos inertes perante estátuas e outras tantas imagens. Caímos mas, sendo poetas, escritores, somos erguidos pela vontade de criar.
Parabéns, Ceci!