04 January 2007

OLGARINA DOS SANTOS



Nesses meus tempos de áridos pesares
Falam-me de milagres todo dia
Milagre é o reverso da realidade
Coisa que não se vê, mas que se acredita
Precisaria de um milagre ontem
Desses que tirassem do pescoço, a corda
Ou me içassem do poço em que me encontro
Eram oito da manhã, o tempo tão chuvoso
Clamei à divindade sobre o mármore
Que me chegasse a solução pra minha vida
A campainha toca, tímida...
Abro a porta, esperançada, aflita
Quem é que entra, sorridente e firme?
Olgarina dos Santos, tão fagueira
Com seus cabelos longos soltos, farta cabeleira...
Foi se ocupando dos copos, da sujeira
E eu, agradeci de joelhos, e ainda estou agradecendo,
Por voltar a ser poeta, em tempo inteiro.
Olgarina não sabe, nem desconfia
Que é minha parceira na poesia.

1 comment:

Zazá said...

Ela deveria saber. Ficaria um pouco poeta, ao se saber inspiradora