02 August 2007

SUBLIME INVENÇÃO


Precisei ser feliz, então eu inventei-te
Inventei-te da forma mais radicalizada que conheço
Retirei-te todos os defeitos
E retirei-te também as arestas dos defeitos
Só para contemplar-te
Quando falas,
Quando mexes as mãos, explicando o que me é inexplicável
Minha invenção de ti é o que me alegra
E o que me expulsa da solidão que também me foi inventada
Na falta tua, inventei-te que és um amor amorenado
- Um amor amorenado é um amor que tudo pode
Porque pode obscurecer-se de manhã
E obscurecer-se à tarde,
Quando não é preciso que haja a noite, solitária
Inventei-te então de dia
Para que funciones em mim enquanto os outros trabalham
Enquanto comem,
Enquanto andam pela cidade,
Inventei-te
Para que eu retome
A cisma de antes,
A languidez de antes
A viva contemplação dessa tua face;
Sublime invenção que meu afeto traga.


1 comment:

Anonymous said...

Amei sua invenção!!!
Que gostoso poder fazer do frio o calor, da dor o prazer, do feio o bonito, do rancor o amor...
Gostei muito. Quando eu puder, vou tentar me valer do mesmo processo.
Talvez eu consiga; talvez...
Um beijão do seu fã.