19 December 2007

HOJE TENHO FEBRE


O que eu poderia lhe dizer hoje?
Que há em mim uma febre
Que não é a poesia
Nem o suposto encantamento pelo mundo
Mesmo quando mundo me traz o mal
Visto que teimo e vejo a beleza em tudo
No bem que me faz o bem
Quando me toca o coração,
E no mal que não me faz o mal
Quando meu coração compreende o mal.

Sabe que o mal é só uma inveja perversa do bem
Portanto, o mal tem também as suas boas intenções
De admirar loucamente o que é benéfico
E trazê-lo para si,
Na falta da possibilidade,
Enche-se de mais mal
Pura incapacidade de transmutar-se, tolo!

A febre, que há em mim hoje
É a febre do corpo que sofre
Porque por um instante,
Olhei para trás e descuidei de mim
Deixei de me olhar como um corpo leal e amigo,
Desfiz-me da amizade que tenho para comigo
Para o corpo desarmado que possuo
E que me serve como um sombrero;
Esqueci-me.

Entretanto, o que me sobreveio jamais será o mal de fato
É somente a distração do bem que nem se reparou,
Que foi andando solto, olhando para o teto das coisas
Perdeu-se num rumor interno,
Esqueceu-se.
Contudo, todo o bem do mundo já foi declarado no meu mundo
No diário oficial
Vigente, executável e pleno.

Tenho para mim que sentir-me mal muitas vezes é bom
Quero raciocinar por sobre os arames farpados da minha existência
Nada do que foi liso e reto me ensinou a ser a torre vigilante
Mas as tortuosidades do caminho,
As linhas perigosas do meu ser
Estas, sim
Deram-me a noção exata do meu tamanho,
Da minha covardia
E da minha fraqueza.
O bem, conforta e expande;
O mal,
Este senhor acinzentado que hoje me trouxe a febre,
De alguma maneira certa,
Me ensina e me ama.


2 comments:

Andresa said...

Linda fotografia, para um não menos lindo poema...

Um beijo!!

ZAZÁ LEE said...

A priore amei este poema.
Li e reli,tentando desvendar nele algo que eu não via.
Vou tornar a rele-lo, pois fiquei com a snsação de ter perdido alguma coisa.