03 December 2007

POEMA DO ABSTRATO


Há muito tempo,
Quando ainda não havia nuvens
Nem estrelas
Nem pórtices
Nem mares,
E só o caos negro prevalecia, nervoso
à espera de arrebentar,
houve o aparecimento ingênuo do meu desejo de alegria
Depois,
Arrebentou-se o mar
Estrelas miúdas se formaram
O azul espichou seu bico no espaço
A vida proliferou
Só ficou o meu desejo ali,
Filhote rejeitado da luz,
O dedo mindinho do universo...
Quem liga para o meu desejo?
O mar ainda ruge,
A lua bóia no céu, esplendorosa
Pessoas maduras passeiam de vermelho pelas praças
E eu, pontinho negro

Enfiado na garganta da terra,
à espera da arrebentação do mundo.
O mundo já está velho de caduco
E eu ainda à espera do milagre.



No comments: