04 December 2007

POEMA DO BOI DA CARA PRETA


Visto que me perguntaram
Não emudeci, como antes, diante de algum muchocho
Disse que sou uma mulher feliz,
Como feliz é a cadeira
Ando como se fosse a rainha da cocada preta
Porque sinto que dentro de mim há tambores africanos
Tocando em ré menor
Chamando para a festança
Em tudo que é gente alegre, eu me encosto
E se há paz de presídio, eu me alargo
Desencanei de coisas que me encanavam
Agora só tiro dez nas provas da passagem
Se eu falo, calo-me depois
Que é para ouvir o ecoar do pensamento
Que agora acelera pra longe, longe
Do que fui
E do que quis ser
(Tudo aquilo era bobagem)
Agora, ou sou a mandala da borboleta branca
Ou sou o boi infeliz da cara preta.




1 comment:

ZAZÁ LEE said...

Hummmm........
Achei muito interessante a idéia da Mandala com borboleta branca !