01 March 2008

POEMA DO DESCUIDO


Primeiro eu escolhi um bom pasto que me pastasse
Eram mil hectares de passos
Andei dois mil
Foi ida e volta pastando sobre um piso improdutivo
Quando a gente caminha, a gente põe a cabeça prá pensar
As idéias também pastam no interior da inteligência
O que eu penso, eu remastigo à exaustão
O que eu falo, eu pronuncio em reflexão contrária
Nunca me fartei de felicidade
Nem a felicidade se afeiçoou a mim
Tudo o que subsiste em minha vida é o ciclo da pastagem
É campo grande, cercado,
e quando vem a possibilidade de algum escape
é preciso dar um fôlego para o regresso da jornada
Quem cansa de viver é desprezível
Quem vive por viver é ponderado
Eu vivo no ponderado e me descuidei do que é viver.



2 comments:

ZAZÁ LEE said...

Sempre aprendendo com sua poesia.
A reflexão que faço quando as leio, põe meus pés no chão.....

Merr said...

Attention!