11 August 2008

PAI DE PAI

Meu pai foi um homem simples
de uma simplicidade de berço
e de uma simplicidade de pensamento
Sua sofisticação foi a maneira
como veio a conduzir a trilha da carreira
Ao mesmo tempo que falava, desfalava
como se sua língua somente soubesse
dar os ântonimos
e desconhecesse as redundâncias
e se seguia, voltava ao ponto de partida
sem que o remorso lhe atordoasse a alma
ou lhe roubasse o sono,
descanso que lhe faltou apenas no desfecho
De meu pai, também fui pai
e dele me fortaleci em coragem
Com ele, aprendi a ser dura
e venho aprendendo a ser mais endurecida
Hoje, nas minhas questões mais cruciais
revolvo-me em espelho
e tento ser pai de mim mesma
assim como paternalizei meu pai
Sua fraqueza fez-me forte
seus conflitos deram-me a sorte
de que preciso para continuar vivendo
Onde ele está, não deve haver dor
e se houver dor, meu pai
receba daqui, de mim,
o meu olhar de encorajamento em amenidade
Posto que o sofrimento, para nós dois
figura constante em nossos mundos,
se desse seu lado, busca paz
daqui do meu, quando não é conflito,
é saudade.


2 comments:

Pedro Figueiredo said...

Ci:
Fiquemos sempre com a saudade...
É o que fica, é o que importa.
Bjs

ZAZÁ LEE said...

Vc colocou de maneira perfeita a sua fraterninade e transformou a dor em terna compreensão.
Muito gostos de ler. Parabéns pela sensibilidade.