06 November 2008

POEMA DE FAZER SUPERMERCADO


Amanhã farei supermercado
Laranjas e limões, enfartem-se, que lá vou eu!
Apalparei tudo que estiver debaixo do meu olho;
perfurarei os mamões até que meus dedos estejam lambuzados
daquele leite viscoso de casca verde
e que me alimente como um seio de mãe

Acho a coisa mais estúpida comer e mastigar
O homem há muito já expandiu a estratosfera
e ainda precisamos colocar comida à boca para enrijecer os músculos
e engrossar o sangue

O ato de comer, na sua primitiva coragem
é a cena humilhante de nossa fraqueza e pouca alma
Se eu pudesse, não comeria,
e se eu não comesse, também não podia

Quando como, sou animal de sela
e quando escrevo, sou estrela.




2 comments:

FMPereira said...

Se te referes ao blog poesia sempre em luta, tens muita razão. Acontece que mudei o código de acesso - e perdi o papel onde o anotei. Já tentei de toda a maneira e feitio, já pedi ajuda ao servidor, e nada. Tenho pena porque perdi os contactos com CENTENAS de amigos e principalmente não encontro maneira de resolver o problema. Tenciono em JANEIRO fazer um outro blog de poesia, agora não tenho pachora nem tempo, porque estou a ultimar uma exposição de pintura minha, que irá ser inaugurada fins de Janeiro, princípios de Março.
Mas continuo a escrever e de vez em quando publico no blog de um Amigo - http://arestasdevento.blogs.sapo.pt/
Se lá fores, há por lá algumas coisas minhas.
E vai dando notícias. Não tenho descurado as idas ao teu blog, até porque sabes que gosto imenso da forma como escreves e da forma como traduzes em palavras perceptíveis os teus sentimentos e afectos.
Coisas boas para ti. E obrigado pela preocupação. E pelo carinho.
Um beijo.

(manda-me o teu email)

ZAZÁ LEE said...

Que delícia de comentário!

Adorei este poema. Eheheheheheheh
Lugar de ser feliz não é supermercado!
Esta frase é de uma música do Zeca Baleiro....