05 January 2009

AS MONTANHAS DE MINAS


Não são minhas as montanhas de Minas;
Nunca possuí montanhas e nem as de Minas me pertenceriam
considerando que são insubordinadas,
robustas, aéreas, rurais,
animadas por cheiros de cabras e um leite de curral
grosso, branco virginal de terra e mosto.

Não são minhas as montanhas de Minas,
ainda assim, elas possuem esse amor meu,
ilegal, insólito pressentimento de reverência e respeito
dessa que reconhece a grandeza
que suplica por grandeza
e de quem já compreende
que jamais obterá grandeza...

De todas as paisagens que meu olho viu
somente uma me arrebatou a vista viciada das minhas paragens;
que fôra uma sedução infantil de céu azul,
umas poucas vaquinhas de leite paradas,
doidas para não fazerem coisa alguma,
um chão arrolado de cupins inesperado,
como a catapora do pasto
e os elevados torrões de barro
alucinando a iminente tempestade
que nunca chega e que nunca parte...

Não sei o que eu amo mais;
se Minas, na sua riqueza
ou a visão perturbadora de Minas,
na sua simplicidade.

2 comments:

Anonymous said...

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ZAZÁ LEE said...

Que lindo poema... tb amo tudo isto, vc sabe.
Vou "roubar este prá mim!