12 April 2009

POEMINHA DE COMPARAÇÃO


Minha mãe foi a criatura mais frouxa que já conheci.
Não ralhava, não alterava a voz,
não manifestava dor, não castrava ninguém,
não me obrigou a comer ovo.
Minha mãe não morreu dormindo,
mas bem era a cara dela dormir
para não acordar nunca mais.
Minha mãe não soube viver como eu sei agora;
deve ter entrado no céu e se acomodado por lá,
sem um grito alto.
Deve ter balbuciado assim:
"Que lugar mais fresquinho esse,
bem melhor que Ribeirão!"
O céu e minha mãe devem ser mornos, entretanto
E o que é morno, eu desprezo, minha mãe...
O que eu gosto é de quente fervendo
ou gelo que prega na gente
No mais, eu devia ser como minha mãe;
e se não sou é porque não me mereço.

1 comment:

ZAZÁ LEE said...

Creio que é muito verdadeiro este poema.
Só não concordo, com "eu deveria ser como minha mãe".
Cada um é único na sua missão e trabalho terreno.
Sejamos como somos e ponto final.
Vc não poderia ser como ela.
Não combinaria.