20 May 2007

POEMA DO DEIXAR PARA TRÁS


Teus olhos minguaram-se diante de mim
Eram só um caldo verde português
Insípido e ralo
Que não me agradou mais
Fecho meus olhos sobre ti
Tenho dúvidas e apelo
Para o que mais me dá desânimo e parto
Sou pomba rola
E tu,
Tu foste o único filho que tive e que me rejeitou
Tu foste a poesia minha,
Desesperada quando eu a queria
E terna quando eu a tinha
Mas minguaste,
Eu mesma te impedia
De ser a escassez da minha poesia
E dos teus sonhos interrogativos e imensos
Lutei e arrebentei-te as pedras
A fim de que tivesses mais espaço
Minguaste assim mesmo;
E ficou em mim
A fonte da água viva que nunca mingua
Essa poesia triste de quem se sabe só
Mas mina,
Em mim
Em ti, não mais.

1 comment:

Anonymous said...

Ceci,


Que bonito. Eu carreguei para dentro de mim, seu lamento.
Acho que tb era um pouco meu.