20 June 2007

PERDOEM-ME, OS INFELIZES


Perdoem-me os infelizes,
Mas hoje estou absurdamente feliz
Não que eu tivesse visto algum periquitinho verde
Bicando mamão
E que esse momento tivesse me dado aquela felicidade única
Que um poeta busca.
Os infelizes hoje saberão
Que a alegria que me assoberbou
Veio do meu sorriso autêntico,
O melhor dos meus sorrisos
Aquele que nunca dei a ninguém
E nunca darei
E a minha capacidade, agora inédita
E absolutamente suicida
De me debruçar por sobre o parapeito e me jogar do alto
Hora berrando sim, hora berrando não...
Infelizes, perdoem-me
Perdoem-me também aqueles que se me assemelharam
Quando eu marchava com a máscara dos mártires
E recuava como as tropas azaradas
Quando não pressentiam o facho da vitória
Hoje a minha felicidade me permite o máximo dos máximos
Que é a mais simples das simplicidades
Estou, magnânimamente, irresponsável
E a irresponsabilidade, neste caso
Veio na forma de andar por aí
Trocando o passo, ora com a poesia
Ora com o acaso
Perdoem-me, infelizes,
Mas é que hoje eu encontrei o acaso.



2 comments:

Vera said...

Oi M.Cecília,
Nossa como vc escreve bem!!!!!
Obrigada por ter sido a responsável por meu blog ir ao ar....vamos nos visitar sempre!
Bjo grande
Vera

ZAZÁ LEE said...

Ora muito triste, ora muito se "achando".
Curioso como nossas vidas tem altos e baixos.