13 October 2007

CHUPAR LARANJAS


Se eu tivesse hoje uma bacia de alumínio,
Com uma dúzia de laranjas baianas,
Viçosas, frescas,
Me sentaria agora no degrau da porta
E com a faca ingênua da minha infância ingênua
Iria tirando-lhe a casca à roda da lâmina afiada
Sem machucar-lhe, e sem que fita lhe quebrasse
Para depois rodar o laço alaranjado para o alto
Desfiando rapidamente o abecedário
A, B, C, D... até que a fita se soltasse,
E eu pudesse saber a inicial do nome do meu amor
Rodasse o que rodasse
Não houve nome que se sustentasse
Nem houve única uma letra para me levar,
Foi bom chupar laranjas,
Sob a pele translúcida e branca, sem falhas
No entanto,
Sentada hoje no degrau da porta,
Não havendo laranjas,
Há em mim as marcas.




2 comments:

ZAZÁ LEE said...

Que legal este poema...Amei.

Sabe que hj pensei exatamente nisto, quando fui à feira?

Eu comprei as tais laranjas.

E não tenho bacia de alumínio,mas deveria ter.

Ariá-la e achar que ficou tão bonita como era no passado.

ZAZÁ LEE said...

Adorei a música!!!!!!!!!!!