29 January 2008

POEMA DO RECOMEÇAR EM POESIA



Li hoje no jornal sobre um desaparecimento
Foi-se quem era o mundo de alguém
Aquele que chegava em casa depois das seis
Que resmungava porque a chuva lhe azarava
Que assombrava com suas aparições raivosas
que sujava o banheiro, entortando as torneiras
e ensaboando as toalhas,
desapareceu.
Aflições por todos os lados,
Choros convulsivos
Ainda procuram o desaparecido nas quinas da cozinha
e por debaixo das camas
Ainda assim, ganharam as ruas,
delegacias foram acionadas
e os vizinhos já pedem pela alma do extinto...
Mas está desaparecido
quem infernizou a vida das crianças
mandando que calassem a boca à hora da televisão
Os filhos alvoroçam-se , inconformados

pela perda do signo da coluna central
pensam no pior, aceitam o pior
quando o pior ainda nem sabe se será pior
E a esposa, quieta, num canto da sala
entre uma lágrima e um apelo
sorri, veladamente, o sorriso das viúvas antecipadas.
Isso é a vida,
um aparecer e um desaparecer,
à hora mais almejada,
quando a intolerância já ultrapassou a tragédia da emoção
para o alívio e sede de vida de quem fica.
Gosto da vida,
Da vida gosto mais do que termina em trágico
e do que recomeça em poesia.


5 comments:

andresa said...

Chegar e partir são só dois lados da mesma viagem...
Prefiro quando tudo recomeça com poesia!!!
Lindas palavras PARABÉNS !!!!!

ZAZÁ LEE said...

Cecília....

Seu novo visual do Blog...está o máximo !
Parabéns....
Depois comento as lindas coisas que escreveu.
bjs bjs bjs bjs

PÉ DE PITANGA said...

Andresa, que delicia ver um comentário seu aqui!!!
Me promete que fará sempre que achar que mereço?
Beijos e obrigada.

ZAZÁ LEE said...

Tem Pé de Pitanga no Espelho sem Aço!

ZAZÁ LEE said...

Seus poemas estão circulando por e-mail.
Levei-os para o Word com os devidos créditos.
Muitas pessoas não tem noção alguma do que sentem e como sentem!
Daí resolvi transformar dramas cotidianos em poesia.
Talvez eu consiga atingir o coração delas.