21 February 2008

POEMA DA BUSCA DA BEM-AVENTURANÇA


Porquê onde moro não existe mar
coloquei uma colcha azul por sobre a cama
e um véu também azul pendurado no teto

louca tentativa da bem-aventurança
era azul marinho, posto que era noite
e o vento, que não vinha
eu fiz soprar através da fechadura
Tudo era paz no meu canto
até que amanheceu lá fora
e a noite do meu mar não mais sabia
se clareava ou se mais se escurecia
Diante da minha farsa,
Quanto mais eu lamentava,
Mais negro de mar eu tinha...



3 comments:

ZAZÁ LEE said...

Espetacular!
Vc é demis!

ZAZÁ LEE said...

Espetacular!
Vc é demais!

André said...

Bom dia, Cecília!

garimpando aqui em seu verão 2008. Fevereiro pródigo esse lá... e introspectivo. Mas introspecção é sempre bom, é o crisol das reflexões.

Este seu belo texto aqui, tão poético, poderia ter sido escrito pela Lispector. Mas ela era não era tão poética assim. Continuo achando que as sensibilidades de vocês são parecidas. E não é elogio. Quem sabe, vocês sejam até do mesmo signo... ;-)

Não tenho grande bagagem literária não, Cecília, é que sempre preferi o livro ao futebol. *rs

Um abraço,meu carinho.
André